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sábado, 4 de outubro de 2008

ENTREVISTA

Com o lançamento, previsto para o segundo semestre de 2008,o trio Versus a.d , entra na reta final com os processos de pós produção , e mixagem, do já intitulado "Primitivo Silêncio, confira abaixo, a entrevista com luis maldonalle ao blog ,detalhando o processo de gravação e as curiosidades do cd,em breve entrevista completa com todo o trio e o produtor Gustavo Vazquez.













1- Houve algum processo especial, em relação à pesquisa músical para este álbum?

L M-Sim, eu praticamente passei o ultimo ano e todo o processo de composição do cd (os últimos seis meses) envolvido com pesquisas em diferentes âmbitos músicais, como o rock progressivo dos anos setenta, o jazz pós bop anos cinquenta e sessenta, além de fusion, pop e world music, em especial a música indiana (hindústica e carnática) e alguns artistas do fim dos anos setenta que fizeram parte do movimento músical do selo motow.

2- Grande parte do cd retrata o flerte com vários elementos dentro do universo músical,
como responsável pelo processo de criação das músicas. Qual a sua intenção em causar este "choque" e quais as referências dentro deste processo?

L M-Eu estive muito envolvido com pesquisas músicais e uma grande gama de referencias durante o processo de criação do cd. Música latina, rock progressivo, música indiana, jazz e fusion. Então eu sabia, desde o início, que não haveria uma barreira ou preconceito em relação às influências. O difícil seria a absorção por parte da banda, que vinha de um outro contexto e, provavelmente, sentiria uma dificuldade em se adaptar e este era o grande desafio! Como exemplo do choque proposital, em Bones in Traction temos uma parte erudita, oriunda de um movimento neoclássico muito forte no fim dos anos 80 e um improviso em mixolídio sobre um baião, o que caracterizaria uma estrutura modal e outra não. E isso continua durante todo o disco, se prestarmos atenção. Pode não ser um disco impecável em sua execução e estrutura, mas o grande gancho de Primitivo Silêncio está na inteligência da mescla dos elementos, sem ser goela abaixo.

3- Você acredita que, mesmo sendo um disco instrumental, as músicas têm a propriedade na sua estrutura, de passar uma mensagem? É possível ao público não só identificar como absorver estas informações?


L M- Sem dúvida. Ao meu ver, é parte de o todo contexto artístico associar a música a uma mensagem, mesmo sendo em uma situação abstrata como a música instrumental.E isso pode se tornar claro dentro da estrutura modal ou tonal da canção, além do título para ilustrar essa música. Há o direcionamento músical e a parte estética gráfica. Em especial no Versus A.D. eu citaria "Black Book of Conflicts". Além do título, há toda uma situação harmônica e modal conspirando a favor desta sintetização da estrutura. Então a música trata claramente de uma crítica ao fanatismo religioso, à intolerância e conflitos árabes.



4- O Brasil atravessa um bom momento na música instrumental. Você acredita em um "bum" da música instrumental no Brasil?

L M- Não. Não acredito e acho que não existe esse "bum". Na verdade, as majors não têm e nunca tiveram um cast decente em termos de música. E como atravessam um mau momento, os selos menores, que já vinham se organizando há um bom tempo e com um imenso catalogo à disposição, com grandes talentos voltados à música brasileira, disponibilizaram isso ao mercado e, conseqüentemente, em festivais independentes em todo o Brasil. Eu, como um grande apreciador do jazz, vejo o surgimento de inúmeros grupos fazendo um mix do jazz com música brasileira, mas infelizmente barrando outros promissores grupos como o próprio Versus A.D., por não ser em sua totalidade um grupo de jazz ou música brasileira.Então não há um movimento em prol da música instrumental e sim, em alguns segmentos.

5- Na sua opinião, há um enfoque filosófico cultural no título "Primitivo Silêncio"?

L M- Sem dúvida. Todo o contexto do disco incita a uma crítica e o carro-chefe desta crítica é o título. O fato de se ter um nome em português contribui em muito para um nexo com o latim, como o nome da banda e é aí que vem o primitivo: uma banda brasileira, envolvida musicalmente com todos esses elementos, sendo vista como o alvo de uma alienação e ufanismo por parte dos americanos. O silêncio, parte fundamental na música, caracteriza não só a questão musical sintetizada em dinâmicas, como um grito em contra-cultura à passividade do povo brasileiro perante a violência, a não conscientização sócio-político-cultural, corrupção e todo o abuso cometido pelos governantes.

6- Quais as principais referências e influências usadas por você neste álbum?

L M- Mahavishinu Orquestra, Allan Holkdsworth, Greg Howe, Miles Davis, Coltrane, Steve Wonder, Return to Forever, Anoushka Shankar, Ravi Shankar, Beatles, Pantera, Yes, Focus, Genesis, Pink Floyd, Led Zeppelin, Zakir Hussain, João Donato, Vinnie Moore, Marty Friedman, John Maclaughlin, Chic Corea, Level 42, Alex Machacek, Rush, Tribal Tech, Soft Machine, música latina, etc.

7- E sobre o álbum, o que pode adiantar e o que espera?

L M- Ninguém ouve seu disco como você, isto é fato! E isso já significa muito. Sinceramente, eu não espero NADA! Meu compromisso é único e exclusivamente com a música. O fato de estar registrando algo dessa maneira é completamente ligado, artisticamente, à essência musical. E as minhas referências me deixam muito à vontade para ir de encontro a este caldeirão musical. Sem dúvida, existe a expectativa de um grande trabalho, afinal, foram seis meses de trabalho intenso, até se chegar ao estúdio. Sendo assim, eu acredito que todos os envolvidos, dos músicos à produção, têm esta expectativa e, provavelemente, devem estar orgulhosos disto.



http://www.myspace.com/versusad



http://www.youtube.com/watch?v=0A9wVtGKQ7M



http://br.youtube.com/watch?v=zgDPthBCmBs



http://www.youtube.com/watch?v=sYbYlM7LjzM



http://www.youtube.com/watch?v=Q5XRpq4rQVI http://www.youtube.com/watch?=